STF Acende Alerta: Por que Clínicas e Hospitais Devem Estruturar com Rigor seus Contratos com Médicos?
04 de julho de 2025
Ao determinar a suspensão nacional de todos os processos judiciais que discutem a licitude da forma de contratação via pejotização (contratação de trabalhador pessoa jurídica por meio de contrato de prestação de serviços), o STF sinaliza a urgência de um novo paradigma: relação profissional precisa ser, acima de tudo, juridicamente segura e bem formalizada.
Você sabia que o caso que motivou esta decisão envolve um médico contratado pelo Hospital Prevent Senior na modalidade PJ, mas que, na prática, apresentava todos os requisitos de vínculo empregatício: subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade.
A situação colocou sob holofotes uma prática corriqueira, porém arriscada, adotada por clínicas e hospitais em todo o Brasil: a contratação de médicos e demais profissionais da área da saúde como pessoas jurídicas.
O que está em risco?
Se o STF confirmar o entendimento de que essas práticas constituem fraude trabalhista, os impactos serão devastadores para clínicas e instituições que mantêm relações e contratos frágeis ou mal elaborados.
Estrutura jurídica robusta: mais que uma precaução, uma necessidade
A decisão serve como um alerta preventivo: clínicas e hospitais não podem mais tratar contratos com seus profissionais/colaboradores como mera formalidade. O contexto atual exige:
- Elaboração criteriosa de contratos com cláusulas bem definidas sobre autonomia, escopo de atuação e contraprestação;
- Consultoria jurídica permanente para revisão de contratos antigos e adaptação à jurisprudência atual;
- Documentação de evidências da independência do profissional PJ (ausência de ordens diretas, horários fixos, metas rígidas etc.);
- Planejamento tributário e trabalhista, mitigando riscos de autuações, ações judiciais e passivos ocultos.
Profissional PJ: quando é legal e quando se torna risco
É possível, sim, contratar médicos por meio de pessoa jurídica, desde que a relação não configure vínculo de emprego disfarçado. Ou seja, o profissional precisa atuar com liberdade técnica, autonomia operacional e, preferencialmente, sem exclusividade. Se ele estiver sujeito às mesmas condições de um funcionário celetista, a configuração de vínculo é praticamente certa.
Por isso, é essencial que os contratos sejam:
- Redigidos com clareza, excluindo cláusulas que revelem subordinação ou pessoalidade;
- Complementados por práticas administrativas coerentes com o modelo PJ e;
- Revisados periodicamente com base em jurisprudência atualizada.
O que pode acontecer se os contratos forem frágeis?
- Reconhecimento de vínculo empregatício com obrigações retroativas
- Condenações por verbas trabalhistas, como férias, 13º, FGTS, INSS e adicionais
- Autuações da Receita Federal e Ministério do Trabalho
- Ações coletivas ou sindicais, com grande repercussão financeira e reputacional
Boas práticas recomendadas para clínicas e hospitais
- Mapeamento de todos os contratos vigentes
- Análise de riscos com equipe jurídica especializada
- Treinamento de gestores sobre limites legais da contratação PJ
- Padronização dos modelos contratuais conforme as diretrizes legais
- Documentação contínua da prestação de serviços de forma independente
STF: um divisor de águas
A expectativa é que o Supremo defina critérios claros para diferenciar vínculos legítimos e fraudulentos. Até lá, a recomendação unânime entre juristas é: não espere a decisão final — atue preventivamente.
A decisão do STF não é apenas uma advertência, é uma oportunidade para clínicas e hospitais profissionalizarem suas relações jurídicas. Em um setor onde a confiança e a conformidade são fundamentais, a estruturação legal adequada não é diferencial — é requisito essencial de sobrevivência institucional.
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