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Cirurgia Plástica Estética: Obrigação de Resultado e Responsabilidade Médica — Decisão do TJSP Amplia Garantias ao Paciente

Caroline Oliveira Dias
Caroline Oliveira Dias
18 de setembro de 2025

Uma decisão emblemática da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (Apelação Cível nº 1005249‑63.2015.8.26.0009, Relator Ademir Modesto de Souza, publicada em 29 de agosto de 2025) reforça os direitos dos pacientes em casos de cirurgia plástica com finalidade exclusivamente estética. A Corte entendeu que, na frustração do resultado esperado, há obrigação de resultado por parte do profissional, além de maiores requisitos quanto ao consentimento informado e à publicidade médica. O entendimento reforça a tendência de responsabilização médica frente à quebra de expectativas legítimas do paciente.

AspectoO que o tribunal decidiu
Obrigação de resultadoEm cirurgias plásticas puramente estéticas, o médico assume responsabilidade mais rígida: o resultado prometido torna-se obrigação de resultado, não apenas de meio. A frustração estética gera presunção de culpa.
Consentimento informadoO termo de consentimento deve especificar os riscos da cirurgia. Se for genérico ou omitir riscos específicos, o consentimento não é suficiente para afastar responsabilidade.
Publicidade médicaPublicidade com padrões estéticos elevados (imagens, promessas, idealizações) induz expectativa. Se o paciente é levado a crer em resultado idealizado, isso pesa na avaliação de culpa.
Laudo pericialMesmo que o laudo técnico confirme que a cirurgia seguiu protocolos e técnica adequada, se não enfrentar os aspectos estéticos contestados ou demonstrar excludente de responsabilidade, não impedirá a responsabilização.
Danos morais e materiaisFrustração de expectativa contratual e lesão à autoestima geram dano moral. Os custos financeiros incorridos devem ser ressarcidos como dano material.
Restituição em dobroO tribunal afastou a aplicação do artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor (sobre devolução em dobro de valores pagos indevidamente) — pois houve prestação de serviço, ainda que defeituosa.

Análise e implicações práticas para médicos e clínicas:

  • Refinamento na redação do consentimento informado, com descrição clara dos riscos específicos para cada tipo de intervenção estética;
  • Cuidados na publicidade profissional: evitar promessas absolutas ou imagens que induzam expectativas irreais;
  • Preparação para perícias que avaliem não só a técnica, mas também o efeito estético e as expectativas geradas.

Conclusão

A decisão do TJSP consolida um entendimento mais protetivo para pacientes submetidos a cirurgias plásticas estéticas. Define-se com clareza que, nestes casos, a obrigação do profissional não é apenas de empregar meios, mas de obter o resultado prometido ou esperado, sob pena de responsabilização quando esse resultado frustra a legítima expectativa. Direitos como informação precisa, transparência na publicidade e reparação integral dos prejuízos — físicos, estéticos, emocionais e financeiros — ganham peso decisivo.

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Caroline Oliveira Dias
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